Quem nunca teve a experiência de estar preso durante um longo tempo em um congestionamento e quando passava pelo trecho de gargalo se encontrava apenas um agente de transito? Essa situação corriqueira faz com que muitas pessoas tenham a impressão errônea que quem causa o problema é o agente. O que as pessoas não sabem ou não percebem que ele só estava operando naquele local por um problema, e muito provavelmente, se você passou e nada viu que justificasse o congestionamento, essa “barreira” já foi retirada ou resolvida.
Preparar os agentes para um grande evento não é apenas capacitar e proporcionar ferramentas que subsidiem e facilitem sua vida, é prepará-lo emocionalmente para criticas em situações como essas. É deixá-lo apto a agir sabendo de seu papel chave nos deslocamentos mesmo quando uma massa grande de pessoas “estão contra”, e principalmente a saber lidar com pessoas com culturas e línguas que ele não domina.
Mesmo que o país receba mais visitantes estrangeiros do que a expectativa, a maior parte de torcedores e operações especiais de transito será voltada para os torcedores locais, os brasileiros. Estudos já demonstraram, e a coordenadora da ANTP Valeska Pinto já deu depoimento sobre o assunto, que principalmente o Europeu possui a cultura de se informar das possibilidades de deslocamento através de sinalização e informativos. A cultura de perguntar por informações é muito mais pujante nos latinos. No entanto é imprescindível que os grupos operacionais estejam sempre preparados para informar e ter qualquer contato com os estrangeiros.
| Agente de Trânsito na Cidade do Cabo abordando torcedor Holandês que conduzia com cachorro |
Em um universo acima de 500 pessoas, capacitar todas em inglês, espanhol e uma terceira língua requer uma estrutura de uma escola de língua estrangeira. Ensinar uma língua requer treinamento e anos. Seriam necessárias ao menos aulas de duas a três vezes por semana até o limiar da copa em 2014 para que os agentes ficassem aptos em apenas uma língua. Imaginem todos estarem aptos em três?! Alem da complexa estrutura que deveria ser formada, o grau de dificuldade aumentaria por três línguas estarem sendo estudadas ao mesmo tempo, adicionadas as necessidades do trabalho de dia a dia e o treinamento especifico para a operação copa.
Montar uma equipe em que todos os agentes tenham segurança e tranquilidade no trabalho é garantir que em todas elas haverá ao menos uma pessoa com condições de se comunicar em língua estrangeira. O pré planejamento e escolha dos agentes que farão capacitação linguística se feitas por divisão de grupo com pré - escolhas (não de nomes, mas de características) diminuem a pressão sobre a estrutura necessária a se fornecer para o aprendizado, consequentemente o custo. Com turmas menores ainda se potencializa o aprendizado e se tem um melhor diagnóstico das evoluções. Outra alternativa, usada na áfrica do Sul, é o uso de voluntários, no recrutamento já é possível cobrar a fluência em determinadas línguas adicionando-os às equipes operacionais.
Recrutando voluntários aptos nas necessidades linguísticas as equipes operacionais perfeitas seriam formadas por quatro indivíduos. Devido a necessidade de grande quantidade de mão de obra é aceitável equipes com até três indivíduos: Agente de segurança pública – Policia Militar (PM) ou Guarda Municipal (GM - em cidades em que operam. Ambos órgãos de segurança são aptos a fiscalização e eventual uso de coerção), agente do departamento de transporte e transito e um voluntário. No caso de cidades que contam com PM e GM a equipe de quatro pessoas seria composta por um agente de cada instituição.
A definição das equipes operacionais deve ser feita por estudo de um órgão integrado pautando requisitos e características claras necessárias para compor as equipes. A pluralidade de órgãos legitima a operação integrada e divide a pressão entre as diversas estruturas.
As equipes operacionais, seja de que órgão for, convivem com a rotina da cidade e mais do que ninguém entendem as peculiaridades e velocidade com que as ações ocorrem no dia a dia. Dar confiança, melhores condições e capacitar esses agentes vão fazer com que a grande quantidade de volume de trabalho durante um mega evento seja executado com entusiasmo na certeza de fazer parte de um momento histórico para a cidade e o país.
Durante o Operação Copa vamos apresentar ferramentas para capacitar e preparar o agente para as diversas situações que ocorrem em grandes eventos. É preciso acima de tudo que os trabalhos sejam lineares, as equipes de planejamento e direção não podem se sentir mais importantes do que as pessoas que estarão na linha de frente e serão o grande termômetro de avaliação da população. Comprometimento, gestão e integração. O sucesso do evento não passa de obrigação.
No próximo post da série “Operação Copa” o começo de metodologias de sucesso em eventos em outros países. Não perca!
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