quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Operação Copa - parte 3 - Agentes de campo

Quem nunca teve a experiência de estar preso durante um longo tempo em um congestionamento e quando passava pelo trecho de gargalo se encontrava apenas um agente de transito? Essa situação corriqueira faz com que muitas pessoas tenham a impressão errônea que quem causa o problema é o agente. O que as pessoas não sabem ou não percebem que ele só estava operando naquele local por um problema, e muito provavelmente, se você passou e nada viu que justificasse o congestionamento, essa “barreira” já foi retirada ou resolvida.


Preparar os agentes para um grande evento não é apenas capacitar e proporcionar ferramentas que subsidiem e facilitem sua vida, é prepará-lo emocionalmente para criticas em situações como essas. É deixá-lo apto a agir sabendo de seu papel chave nos deslocamentos mesmo quando uma massa grande de pessoas “estão contra”, e principalmente a saber lidar com pessoas com culturas e línguas que ele não domina.

Mesmo que o país receba mais visitantes estrangeiros do que a expectativa, a maior parte de torcedores e operações especiais de transito será voltada para os torcedores locais, os brasileiros. Estudos já demonstraram, e a coordenadora da ANTP Valeska Pinto já deu depoimento sobre o assunto, que principalmente o Europeu possui a cultura de se informar das possibilidades de deslocamento através de sinalização e informativos. A cultura de perguntar por informações é muito mais pujante nos latinos. No entanto é imprescindível que os grupos operacionais estejam sempre preparados para informar e ter qualquer contato com os estrangeiros.
Agente de Trânsito na Cidade do Cabo abordando torcedor Holandês que conduzia com cachorro
Em um universo acima de 500 pessoas, capacitar todas em inglês, espanhol e uma terceira língua requer uma estrutura de uma escola de língua estrangeira. Ensinar uma língua requer treinamento e anos. Seriam necessárias ao menos aulas de duas a três vezes por semana até o limiar da copa em 2014 para que os agentes ficassem aptos em apenas uma língua. Imaginem todos estarem aptos em três?! Alem da complexa estrutura que deveria ser formada, o grau de dificuldade aumentaria por três línguas estarem sendo estudadas ao mesmo tempo, adicionadas as necessidades do trabalho de dia a dia e o treinamento especifico para a operação copa.

Montar uma equipe em que todos os agentes tenham segurança e tranquilidade no trabalho é garantir que em todas elas haverá ao menos uma pessoa com condições de se comunicar em língua estrangeira. O pré planejamento e escolha dos agentes que farão capacitação linguística se feitas por divisão de grupo com pré - escolhas (não de nomes, mas de características) diminuem a pressão sobre a estrutura necessária a se fornecer para o aprendizado, consequentemente o custo. Com turmas menores ainda se potencializa o aprendizado e se tem um melhor diagnóstico das evoluções. Outra alternativa, usada na áfrica do Sul, é o uso de voluntários, no recrutamento já é possível cobrar a fluência em determinadas línguas adicionando-os às equipes operacionais.

Recrutando voluntários aptos nas necessidades linguísticas as equipes operacionais perfeitas seriam formadas por quatro indivíduos. Devido a necessidade de grande quantidade de mão de obra é aceitável equipes com até três indivíduos: Agente de segurança pública – Policia Militar (PM) ou Guarda Municipal (GM - em cidades em que operam. Ambos órgãos de segurança são aptos a fiscalização e eventual uso de coerção), agente do departamento de transporte e transito e um voluntário. No caso de cidades que contam com PM e GM a equipe de quatro pessoas seria composta por um agente de cada instituição.

A definição das equipes operacionais deve ser feita por estudo de um órgão integrado pautando requisitos e características claras necessárias para compor as equipes. A pluralidade de órgãos legitima a operação integrada e divide a pressão entre as diversas estruturas.

As equipes operacionais, seja de que órgão for, convivem com a rotina da cidade e mais do que ninguém entendem as peculiaridades e velocidade com que as ações ocorrem no dia a dia. Dar confiança, melhores condições e capacitar esses agentes vão fazer com que a grande quantidade de volume de trabalho durante um mega evento seja executado com entusiasmo na certeza de fazer parte de um momento histórico para a cidade e o país.

Durante o Operação Copa vamos apresentar ferramentas para capacitar e preparar o agente para as diversas situações que ocorrem em grandes eventos. É preciso acima de tudo que os trabalhos sejam lineares, as equipes de planejamento e direção não podem se sentir mais importantes do que as pessoas que estarão na linha de frente e serão o grande termômetro de avaliação da população. Comprometimento, gestão e integração. O sucesso do evento não passa de obrigação.

No próximo post da série “Operação Copa” o começo de metodologias de sucesso em eventos em outros países. Não perca!

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