quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Se já estou acostumado a levar 70mil pessoas ao estádio e receber turista estrangeiro no carnaval porque deveria me preocupar com operação copa?

Este é um questionamento comum dos gestores de Transporte e Trânsito. Muitas pessoas comentam que o Brasil não precisa se preocupar em relação a operação da Copa pois já está acostumado a levar em muitas localidades e eventos a capacidade e público esperado nos estádios da Copa.
Multidão de Torcedores tomando via e "operação de trânsito" em dia de jogo
A verdade é que esta é uma situação totalmente diferente, as pessoas que estão acostumadas a ir no estádio são da vizinhança ou já conhecem a região/estádio. Normalmente entram e vão sempre para os mesmos lugares, conhecem a rota de acesso, a porta de saída, etc.

Os participantes na copa do Mundo serão totalmente diferentes dos visitantes comuns. Não importa se serão nacionais ou internacionais. O homens querem levar suas esposas, o avô os seus netos, etc. São pessoas que chegam ao estádio sem saber detalhes ou mesmo como este funciona.

É um cenário distinto das partidas regulares de futebol, onde as pessoas querem chegar entre 90 e 30 minutos antes. Mesmo que o estádio só abra 2 ou 3 horas antes da partida 25% do publico já estará nos arredores muito antes disso.

O número de pessoas ao redor do estádio é apenas uma fração das pessoas que estão envolvidas no evento. Registrou-se em Munique até sete vezes a capacidade do estádio em seu entorno. Isso sem contar com operacionalização de FAN FEST e Festas regionais.

Na Copa ainda existem pessoas que chegam no mesmo dia do jogo. Dependem de um avião que pousará em tempo certo, que seu passaporte será processado, serviços do aeroporto serão efetuados em tempo hábil, etc. Fora isso existe toda a logística e informações do transporte vinculados à conexão aeroporto para estádio.

No estádio, a cerca de 1,5km de distância, as rotas de acesso passam a ser modificadas. Cumprindo os protocolos de segurança, a FIFA exige que o transporte motorizado genérico seja todo restringido.

Os estádios até para pessoas locais ficarão diferentes, isso sem contar as grandes áreas para os patrocinadores, como tendas, mídias, etc. Tudo será muito diferente do atual, é preciso um nível de informação e coordenação diferente e é claro, sistemas que funcionem confiavelmente.

Se o time norte americano (EUA), por exemplo, se classificar, passa a ser um grande desafio da mobilidade. Exigem segurança e deslocamento ininterrupto. Para treino, ou para jogo, o transporte levando a grande delegação não pode diminuir de 30km/h.

E mesmo que a infraestrutura de transporte esteja dimensionada corretamente dentro das simulações existem sempre situações que transpõem o planejamento. Na cidade de Leipzig, na Alemanha, da FAN FEST ao estádio tinha 5km de distância. Os torcedores da Holanda invadiram as vias e fecharam inclusive a linha férrea onde um VLT havia sido projetado para o transporte deles e fizeram todo esse trecho a pé.

Torcedores Holandeses que decidiram ir a pé em trecho de 5km fechando via e  Transporte
 As equipes operacionais, do JOC a de campo, são responsáveis por lidar com a velocidade com que essas ações ocorrem, são eles o elo final de contato e imagem do evento com tudo que foi planejado. Não preparar, inserir entusiasmo e comprometimento neste setor operacional é perder o legado de capacitação e principalmente a imagem que uma Copa do Mundo pode gerar.

Outras exigências FIFA que impactam no evento podem ser encontradas aqui.

2 comentários:

  1. Bem, prezado autor, Ricardo Jordão Magalhães comenta em seu texto "Jesus Cristo ou Barrabás?" (http://www.fiquealerta.net/2011/11/jesus-cristo-ou-barrabas.html) uma coisa que eu já desconfiava:
    "60 dias atrás o U2 tocou no estádio do Morumbi para 80 mil pessoas por noite. 80 mil!!! E posso te dizer que a cidade de São Paulo não parou porque o U2 estava no Estádio do Morumbi com 80 mil neguinhos. Te garanto que milhões de paulistanos nem sabiam que os caras estavam na zona Sul tocando para 80 mil carinhas. 3 jogos com 45 mil pessoas dentro não fazem nem cócegas na economia da cidade."
    Ele arrisca também dizer que não haverão mais de 30% de estrangeiros na Copa do Mundo do Brasil. Com isso, um esquema para uma apresentação como a do U2 ou da Ivete Sangalo mais a oferta de hora de pico dos nossos atuais e futuros metrôs e BRT's (se os dias de jogos do Brasil forem mesmo feriados) podem ser suficientes.
    É como venho dizendo: problemas urbanos e viários de décadas, sistemas integrados mal operados, um transporte público que só não retrocede em passageiros por mês por causa do vale-transporte eletrônico, o êxodo de usuários do transporte público para o privado estão sendo varridos pra debaixo do tapete e a questão do momento é quais as obras superfaturadas que vamos fazer para tapear os turistas da Copa durante um mês.
    Atenciosamente,
    Walter N. Braz Jr.

    ResponderExcluir
  2. Caro Walter, resposta no post:

    http://transportenacopa.blogspot.com/2011/12/operacao-copa-e-diferente-do-dia-dia_21.html

    ResponderExcluir