Desculpem minha ausência mas minha volta em definitivo para o Brasil complicou minha regularidade no Blog.
Neste tempo houve um comentário do Leitor Walter Braz no último post do Blog indo em contra-ponto ao que foi postado. O leitor sugere, inserindo como fonte Ricardo Jordão Magalhães, que o Show musical com a banda internacional U2 ocorrido tempo atrás em São Paulo, poderia servir de parâmetro comparativo com a operação especial de transporte/trânsito para uma copa do mundo.
Antes de emitir opnião de valor é preciso saber o que se está falando. O advento da internet e integração rápida possibilitou todo e qualquer interlocutor escrever o que quiser e da forma como quiser. O comentário:
"60 dias atrás o U2 tocou no estádio do Morumbi para 80 mil pessoas por noite. 80 mil!!! E posso te dizer que a cidade de São Paulo não parou porque o U2 estava no Estádio do Morumbi com 80 mil neguinhos. Te garanto que milhões de paulistanos nem sabiam que os caras estavam na zona Sul tocando para 80 mil carinhas. 3 jogos com 45 mil pessoas dentro não fazem nem cócegas na economia da cidade."Ele arrisca também dizer que não haverão mais de 30% de estrangeiros na Copa do Mundo do Brasil. Com isso, um esquema para uma apresentação como a do U2 ou da Ivete Sangalo mais a oferta de hora de pico dos nossos atuais e futuros metrôs e BRT's (se os dias de jogos do Brasil forem mesmo feriados) podem ser suficientes.É como venho dizendo: problemas urbanos e viários de décadas, sistemas integrados mal operados, um transporte público que só não retrocede em passageiros por mês por causa do vale-transporte eletrônico, o êxodo de usuários do transporte público para o privado estão sendo varridos pra debaixo do tapete e a questão do momento é quais as obras superfaturadas que vamos fazer para tapear os turistas da Copa durante um mês.Atenciosamente,Walter N. Braz Jr.
Não levando em conta a forma como foi escrita mas o conteúdo é preciso primeiro entender que o Transporte na Copa objetiva mostrar a necessidade especial na operação planejada de eventos, seja ele os maiores do mundo como Copa e Olímpiadas, grandes eventos como o show do U2 ou um evento local de grande atratividade como a Red Bull Race. A metodologia ou o blog existe por conta do evento e não da discussão se ele deve ocorrer.
Diferente do que o autor coloca o show do U2 foi massivamente vinculado na mídia e trouxe extensos problemas para a cidade de são Paulo, indo um pouco mais alem em um evento muito menor, a Red Bull Soapbox Race, trouxe o caos para Belo Horizonte no início de Outubro.
Se preparar e ter metodologias para eventos não exclui e nem tira a prioridade do investimento em infra-estrutura e preparo do dia-a-dia. Mas o autor da fonte e o comentário é exatamente o que muitos dizem e querem para justificar um problema e não se preparar. Na ocorrência do caos as respostas são sempre que não há como responder as demandas necessárias de eventos deste porte, “problemas são naturais deste tipo de evento”.
Voltando ao assunto “Se já estou acostumado a levar 70mil pessoas ao estádio e receber turista estrangeiro no carnaval porque deveria me preocupar com operação copa?” algumas pessoas não entenderam ainda o risco e peculiaridade de uma copa do mundo. A metodologia do Operação Copa, não é apenas uma planilha de gestão e controle, acima de tudo ela trás os conceitos e campos muitas vezes esquecidos ou tardiamente lembrados pelos produtores da mobilidade do evento. Dos 390 campos atuais da planilha podemos citar alguns que não fazem parte do dia-a-dia da operação e são específicos neste caso:
- Levantamento de potenciais riscos históricos – caso de Leipzig por exemplo
- Meta Governo – políticas e medidas que possuem grande resistência da população e a copa pode ser usada para consolidar e mostrar sua eficácia.
- Possibilidades de operações ideais / regulares VS Exigências Fifa - ex: Ter uma área a primeira vista ideal para bolsão de Park&Ride não quer dizer que será possível sua implantação.
- Regulamentação de fretamento e regulamentações de vias exclusivas/estacionamentos de Transporte público – para operações de Park&Ride integrados ou sistemas vinculados a bilhete jogo/transporte.
- Diagnóstico e Flexibilidade no contrato de remoção e pátio de recolhimento – os pátios de remoção do Brasil não possuem capacidade e flexibilidade para atendimento de estrangeiros que tenham carros removidos. Mais temerário que isso são os que virão de dentro da America Latina ou alugarão carros com documento não regularizado e hoje não teriam como sequer entender o que está ocorrendo de problema para retirada do veículo.
- Flexibilidade uso mídia nos serviços de Transporte – uso de cartão ônibus com mídia específica para remuneração ou mídia ônibus para financiar parte da operação.
- Autorização e equipes de Eventos paralelos no período da Copa – vereadores ou lideres comunitários podem requerer um fechamento de via para manter a população no bairro ou fazer um evento local, não apenas este tipo de medida necessita equipe especial como autorizações específicas.
- Levantamento de interesse em desligamento dos cargos envolvidos no evento tal qual planos de ausência – contigente atual Vs contingente futuro.
- A delegação dos Estados unidos possui uma norma que exige que seu transporte não possa diminuir de 30km/h. Qualquer que seja a cidade a partir do momento de preparação da delegação Estadunidense estará sujeita a parar a cidade para cumprir os protocolos de segurança e mobilidade.
Como estas existem inúmeras outras questões que a primeira vista são simples mas somadas tornam a operacionalização da Copa do Mundo ou mega evento complexos. Não é esquecer que devíamos ter transporte de alta capacidade e com qualidade no dia-a-dia, mas já que evento irá ocorrer é não deixar o legado da imagem e possibilidade desta janela de oportunidades passar.
Gustavo, parabéns pelo Blog, qualquer coisa estamos aí pra ajudar!
ResponderExcluirabraço!
Bem, discordamos muito, mas obrigado pela menção especial.
ResponderExcluirVi o seu perfil no LinkedIn e, que interessante, você trabalhou na BHTrans em 2008 e 2009. Eu também trabalhava na BHTrans no mesmo período, mas na UIT do Carlos Prates, nós quase nos conhecemos. Que mal lhe pergunte: você pretende fazer abordagens sobre projetos nas cidades sedes, como é o caso de Belo Horizonte?
Você viu esta matéria?
http://meutransporte.blogspot.com/2011/11/em-bh-sistema-brt-traz-mudancas.html
Cordialmente,
Walter N. Braz Jr.
P. S.: vejo no seu perfil que você além de ter trabalhado na BHTrans, foi observador da FIFA. Sempre te achei suspeito, mas achava que você era só arquiteto. (Brincadeira)
Farei um post dedicado a Belo Horizonte após a retomada dos trabalhos de copa no município.
ResponderExcluirSaudações